absolutamente janeiro

todos arriscam à primeira vista, o olhar seduzido... "uma teia!", "um trapézio!" mas onde pára a rede? o verdadeiro significado repousa na expressão serena de Helena Janeiro, a responsável por esta instalação que marcou presença no evento "Casa Absolut", no passado mês de Março.


do emaranhado de fios quase caem as peças suspensas que compõem mais um capítulo da aventura (e assim) acontece, e também aí as peças desta criadora desassossegada marcam presença.


respeitando a temática da nova temporada, as feições de diversos ícones cinematográficos observam orgulhosamente quem pára e se espanta... Bogart e Marilyn em flirt arrojado, numa lapela que passa por si? sim, é possível. e é assim que a expressão "levar uma estrela para casa" ganha novo vigor.


venham ver o trabalho da Helena até ao final da temporada e trocar uns olhares com o que paira por detrás da montra. se alguém vos piscar o olho, não se surpreendam... é que cinema e magia sempre andaram de mão dada.

here's looking at you, kid.

quem disse que as montras não falam? alheias a horários e temporais, espreitam quem passam com um olhar nada indiferente. coloridas, vazias, a abarrotar, uma montra é também um retrato sempre inacabado do que se passa mais dentro. nisto pensava o serafim quando se deparou com um espaço por preencher. encavalitou-se num poiso confortável (não no mais alto, que isto das vertigens é uma coisa tramada!) e por ali vai ficando, saudando quem entra e quem passa e quem o atura. está rodeado de cor e de simpatia, nas mesas em frente há sempre alguém que se senta e que oferece o seu tempo para um lanche fora de horas. às vezes, soa um piano que tem dias bons e maus, como todos. é agradável, como agradável pode ser a casa que nos recebe e nos senta, todos os dias.





loja 9, na galeria Lumiére. (podem olhar, mas entrem também.)

ana encarnação

há palavras que revelam de imediato a sua natureza e há também quem diga que por alguma razão beleza é um adjectivo feminino. existem muitos tipos de beleza, é certo, mas ana encarnação há só uma e por alguma razão (também) surge associada a este termo. é possível - e compreensível - exagerar nos adjectivos que descrevem o trabalho desta criadora de ar frágil, mas beleza será talvez o mais unânime.




de colares a brincos, passando por carteiras e bandoletes, as peças de ana encarnação respiram delicadeza e nascem de um universo onde imperam as cores suaves e os móveis em miniatura. espreitem-na na montra do acontece. e venham com tempo, é natural que se demorem.

MJK

a maria poderia ser uma canção. algo elegante e sofisticado, mas com uma batida muito própria, onde se falasse de desfiles originais, tecidos caros e unhas pintadas de vermelho. a maria nunca pára e traz sempre uma ideia na algibeira. e atrás dessa uma outra logo se apruma, ainda a lutar por ser.


organizadora de eventos, ilustradora de cenários sonhadores, artesã e criadora por vontade e vocação, mary john of kings inventou para a montra do acontece um conjunto de pregadeiras esvoaçantes e coloridas. se passarem por lá, até pode ser que a ouçam e se encantem. é um risco que vale bem a pena correr.

helena janeiro

as peças de helena janeiro falam francês e até há quem diga que tocam piano. parecem respirar ares de outras décadas e nota-se o bom-gosto e a elegância logo no primeiro relance. cativam. e logo de seguida, apaixonam. a escolha é diversa e apetece permanecer dentro do universo que lhes deu forma. colares multicolores, anéis bizarros, pregadeiras inesperadas, colagens e caixas que fazem pasmar e parar.



se tiverem a oportunidade de trocar umas palavras com a própria criadora, não a percam. se sugerirem uma peça sonhadora é bem provável que daí a uns dias se tenha tornado realidade. fazedora de sonhos e madame janvier para os amigos, também em exposição no acontece.

susana teixeira

<3



os corações batem, dizem. esperançosos, eufóricos, nostálgicos... um em cada corpo que passa e pára, a ouvir. ("we had a promise made") cá em cima batem 3 exemplares perfeitos e únicos, imaginados por Susana Teixeira. venham ouvi-los. venham!

freaks & geeks

she's an indie, he's a punk. ela é simpática. ele, tem dias. ele desenha, ela inventa. e desta receita com dois ingredientes, resultam as inevitáveis expressões de surpresa... "ah, tão giro!", "olha, olha!" sacolas reinventadas, colares marie antoinette, pregadeiras e pins a que ninguém fica indiferente. são acessórios encantados com um espírito muito próprio, que nos transportam para cenários de filmes independentes, fotografias saturadas de cor e canções em repeat. freaks & geeks. (quem é que se lembra de um nome destes?)



em exposição destacada aqui no acontece. venham ver e admirar-se.

aconteceu ali...

no dia 23, o amanhecer quente não durou até ao cair da noite, mas este jardim esteve bem protegido do temporal. muitas mãos, muitos pés, muita conversa e muitos desejos de sucesso aqueceram o ambiente elevado e bem-humorado. restam umas poucas imagens, os pratos e copos lançados ao plasticão e a promessa de um regresso.




um sonoro "obrigado" a quem compareceu. quem não veio, está sempre a tempo de mudar de rumo. olhem que não custa nada.

chamada ao palco!

nesta primeira incursão pelo espaço (e assim) acontece podem deparar-se com estes e outros cenários...


as peças de
susana teixeira, maria joão dos reis, helena janeiro e freaks & geeks não mordem, mas provocam estragos sentimentais. dizem que o coração foi feito para ser partido... atrevam-se já este sábado.